Vidas Provisórias, de Edney Silvestre


Esta é uma vida provisória, ela acredita. Tem que ser uma vida provisória, precisa acreditar. (p.39)

Tinha recebido Vidas Provisórias há alguns meses, mas só agora li e, gente, que livro. Admiro muito o trabalho de Edney tanto como repórter quanto como crítico cultural, então não duvidei que seria mesmo um título incrível.

Vida Provisórias vem dar conta de duas existências, duas histórias que ocorrem em décadas distintas. A primeira, em 1970, relata os dias de Paulo, um estudante que vive a ditadura militar da forma mais terrível que podemos imaginar: sob a pele de um torturado e exilado que vê sua vida se transformar num inferno de uma hora para outra.

A segunda, em 1990, porém tão trágica quanto a primeira; a de Bárbara que tem como solução deixar seu país de nascimento (o Brasil), a fim de sobreviver a uma série de pequenas tragédias que vão se acumulando, uma a uma.



As narrativas são similares e um tanto curtas e isso dá uma dinâmica ótima para a leitura, ficamos o tempo inteiro a retomar cada história. Os personagens são marcantes e cheios de subjetividade. O fato da obra ser dividida em dois livros é um truque de mestre, isso sem contar a diagramação que deixa a leitura muito leve e fluída. Perfect!



O livro de Paulo é escrito em letras pretas, já o livro de Bárbara vem com letras azuis, ambos impressos em páginas amareladas. Particularmente, gosto bastante desses signos. Letícia Wierzchowski, por exemplo, lançou mão de cores para determinar os vários personagens do seu livro Sal, e isso diz muito sobre a personalidade de cada um. Contei isso nesse post

Vidas Provisórias tem uma ambientação que a todo tempo nos remete à coisas muito familiares, trechos de músicas e pessoas conhecidas aqui no Brasil, assim como poesias estrangeiras, como "The road not taken", (A Estrada não Trilhada), de Robert Frost, que é uma preciosidade justamente por lembrar de como sempre estamos em bifurcações, escolhendo um caminho e abrindo mão de outros tantos, torcendo para que as situações ruins sejam mesmo um recorte passageiro.


Num bosque, em pleno outono, a estrada bifurcou-se, mas, sendo um só, só um caminho eu tomaria. Assim, por longo tempo eu ali me detive, e um deles observei até um longe declive no qual, dobrando, desaparecia…

O livro de Edney versa sob a mesma ótica e com seus personagens fictícios, nos conta histórias reais, as quais vemos aos montes todos os dias, as mais diversas formas de exílios a que estamos submetidos sempre e sempre.

O fato é que com Vidas Provisórias Edney entrou para minha lista de escritores contemporâneos favoritos. Já quero ler Dias de Cachorro Louco (1995) e Outros Tempos (2002), ambos uma seleção de suas crônicas publicadas no jornal O Globo.

Há também outros títulos convidativos:

  1. Contestadores (2003) com 18 entrevistas realizadas ao longo de sua carreira; 
  2. Se Eu Fechar os Olhos Agora (2010), que lhe rendeu o Prêmio Jabuti de Melhor Romance e também o Prêmio São Paulo de Literatura, na categoria Melhor Autor Estreante; 
  3.  A Felicidade é Fácil (2011); 
  4. Boa noite a todos (2014).  
E vocês, já leram algo dele? Me contem nos comentários.

2 comentários:

  1. conheço ele como reporter e nao sabia que ele tinha esse livro lançado, gostei bastante da sua resenha e dessa proximidade da ficção com realidade e já fiquei bem curiosa pra ler

    www.tofucolorido.com.br
    www.facebook.com/blogtofucolorido

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  2. Acredito que seja um livro super necessário nesses dias de hoje! Amei conhecer um pouco sobre essa leitura. Tenha um ótimo dia, beijos!

    Blog Paisagem de Janela
    www.paisagemdejanela.com

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